Ainda me lembro quando eu era garoto, e vi o seriado Agente 86 pela primeira vez. Meu pai gritou lá da sala “Wallace, vem ver!!!”. Fui correndo e acabei sendo apresentado a um dos personagens mais carismáticos da TV dos anos 70/80: Maxwell Smart. “Um agente do governo muito atrapalhado, aprontando todas em altas confusões, para deter uma galera do barulho”, como diria o Narrador da Sessão da Tarde. Brincadeiras a parte, o personagem era uma sátira dos personagens clássicos de ação/espionagem do cinema, exatamente o que o injustiçado “Jhonny Johnny English” fez recentemente.
Depois de muito anos, conheci o ator Steve Carrel como o estranho gerente Michael Scott, e virei fã do cara, tanto pelo talento como pelo fato de que ao ver a versão “US and A” do seriado britânico “The Office”, eu ter identificado algumas pessoas com quem eu trabalhei. The Office explora de forma muito escrachada o dia a dia de um escritório comercial (assunto que já deveria ter rendido um seriado há muito tempo).
Dito isso, quando li, há cerca de 1 ano, a notícia de que fariam o filme do seriado Agente 86, fiquei feliz pela nostalgia que me trouxe, mas preocupado pois adaptações modernas de clássicos dos 70/80 são sempre um perigo (taí “Perdidos no Espaço” que não me deixa mentir). Meu medo era que a escolha de Steve fosse mais pela semelhança física com o ator Don Adams.
Agora, depois de ter assistido o filme, fiquei tranqüilo ao ver uma comédia leve, despretensiosa, competente, muito bem dirigida, e que consegue fazer você rir do início ao fim.
Claro que o elenco de apoio ajuda bastante. Dwaine “Scorpion King” Johnson, embora ainda estereotipado como uma montanha de músculos, está aos poucos mostrando para o mundo que é um ator de verdade. A linda e talentosa Anne Hathaway dispensa apresentações (“O Diário da Princesa” e “O Diabo Veste Prada”, são filmes bem mulherzinha, mas valem a pena ver), Alan Arkin usa toda a sua experiência para encarnar o “chefe”, mas quem brilha, com certeza, é Steve Carrel. O ator interpreta com perfeição o agente atrapalhado, conquista a simpatia do expectador logo nas primeiras cenas (e o que é melhor, tendo a maturidade de não querer reinventar o personagem como Steve Martin tentou com o Inspetor Closeau, mas respeitando os traços e comportamentos do personagem caracterizado por Don Adams) e mostra tudo que não pôde mostrar no fraco “A Volta do Todo Poderoso”.
O roteiro é simples, como em toda comédia, mas infelizmente chega a ser pobre em alguns momentos, pois conta com algumas piadinhas já vistas antes (personagens pendurados numa corda que erram a janela e batem na parede, personagem esbarrando sem querer em algo e causando uma mini-catástrofe a sua volta, personagem pegar uma arma para surpreender o vilão e se atrapalhar, etc).
O filme se passa antes de todas as aventuras do clássico seriado, e apresenta o agente Maxwell Smart em sua primeira missão como agente de campo da CONTROLE, com o objetivo de deter um líder da organização terrorista KAOS. Algumas piadas soam americanas demais, principalmente as do vilão, mas o público médio do seriado vai gostar das dezenas de referencias, tendo como auge a cena em que Maxwel pega um carro e um terno usados na época do seriado para continuar em sua aventura.
O que atrapalhou (e muito) é que, conforme já alertado pelo pessoal do Cinema com Rapadura, o trailer já mostra muitas cenas engraçadas do filme, algumas desnecessariamente, estragando algumas boas surpresas. Enfim, não é a melhor comédia dos últimos tempos, mas tem potencial para render uma continuação, e passa por cima das comédias-sátiras-pastelão-iguais que inundaram a indústria nos últimos anos. Esse sim valeu meu ingresso!!!
Para saber mais:
Almanaque Virtual – Almanaque Virtual Agente 86
RapaduraCast #42 - Trailers
Omelete – Especial Agente 86

Escrito por Wallace Souza
Escrito por Wallace Souza
Escrito por Wallace Souza 