O novo filme do personagem criado por Bob Kane é definitivamente o melhor filme do homem-morcego, e uma das melhores adaptações dos quadrinhos de todos os tempos.
O filme se passa 2 anos após os incidentes de “Batman Begins”, e agora Gotham City está mergulhada num caos de violência, corrupção, desordem urbana e medo, onde a população começa a se questionar se a presença de Batman trouxe alívio, ou gerou mais violência.
Nesse cenário surge o Coringa, interpretado por Heath Ledger. Ao aceitar interpretar o vilão, o ator sabia que teria uma árdua tarefa, tanto pela importância do personagem para os fãs, como pela lembrança de Jack Nicholson no papel no sombrio filme de Tim Burton. Para tanto, Heath reconstruiu o personagem, adicionando características (um certo cacoete com a língua), eliminando as piadinhas desnecessárias de auto-afirmação (como o revólver com cano gigante, a voz esganiçada de Nicholson, flor na lapela do paletó, etc.) e deixando apenas os elementos que geram violência (SPOILER: o Coringa fazendo um lápis desaparecer da mesa no começo do filme resume perfeitamente quem é o personagem). O resultado é um vilão violento ao extremo, tresloucado, destemido, carismático e assustador. Jack Nicholson é um grande ator, e mesmo “fortinho” demais para o papel carregou o primeiro filme nas costas, mas depois de Heath Ledger, dificilmente outro ator igualará a atuação no personagem.
O filme como um todo é fantástico. Apesar da relação Coringa x Batman não ter muita profundidade como nos quadrinhos, o diretor acerta em cheio ao conduzir o personagem Harvey Dent de forma heróica, fazendo com que, mesmo você sabendo que ele será o Duas-Caras, você torça para que ele elimine a corrupção de Gotham. A evolução do personagem é tão boa que quando se dá a transformação dele num vilão, o impacto fica ainda maior. Exatamente o que Aldred Molina tentou fazer com seu Dr. Octopus no segundo longa do Homem-Aranha. Já Christian Bale está mais a vontade, aprofundando os traços do personagem construído no filme anterior.
O restante do elenco cumpre o seu papel, e cada um tem a sua chance de brilhar. O resultado é um filme que alterna momentos de nostalgia com momentos de uso de recursos tecnológicos, mas a atmosfera niilista criada por Cristopher Nolan caiu como uma luva para o universo do Homem-Morcego. Não sei se eu chegaria ao extremo do meu amigo Kosmidis e dizer que “a DC pisou na Marvel” com esse filme, mas definitivamente é um filme consistente, violento, heróico, e divide com “Homem de Ferro” o lugar de melhor adaptação de quadrinhos já feita!
