E chegou o novo álbum do MetallicA. Repleto de riffs que são puro thrash metal oitentista, palhetadas rápidas, solos de guitarra (Kirk Hammett voltando a fazer o que faz de melhor), com um novo baixista (lembrem-se que Robert Trujillo entrou quando quase todo o equivocado St. Anger já estava pronto) e Lars Ulrich loooonge de ser o baterista que já foi um dia, mas na dele, sem comprometer nada.
Basicamente é assim que se pode descrever o novo álbum da banda. Depois de alguns experimentos fracassados, o MetallicA lança “Death Magnetic”, um álbum que marca mais que o retorno do grupo ao topo do metal, mas um reencontro consigo mesmo. Com produção de Rick Rubin “Death Magnetic” não é nem farinha perto de “Master of Puppets”, mas é definitivamente melhor do que qualquer coisa que a banda fez depois do midiático álbum “Metallica” (o famoso “Black Album”).

Robert Trujillo
Claro que os pequenos defeitos que fazem a banda ser o que é estão ali. “Cyanide” é a prova da personalidade e versatilidade que Robert Trujillo trouxe, apesar de seu riff de guitarras ainda trazer um “cheiro” de Reload. A banda continua com sua IRRITANTE mania de diminuir a batida na hora do refrão, ao invés de acelerar, e Kirk mesmo depois de mais de 20 anos de carreira ainda não se decidiu sobre qual efeito usar. Mas é muito bom ouvir o Metallica soando novamente como o Metallica. “The Day That Never Comes” não é uma das melhores faixas, mas é uma ótima balada, mesmo sendo artificial. Parece que eles engarrafaram a fórmula de “Fade To Black” e “Welcome Home (Sanitarium)” para fazer um hit de radio.
O ponto alto do álbum é definitivamente “The Judas Kiss”. Um belo refrão, bateria frenética, e Hetfield cantando como nos velhos tempos, com tesão e raiva. Mas o principal destaque desta faixa são as guitarras, tanto as bases animais de James quanto o solo característico e interminável de Kirk, repleto de wah-wah e distorção no talo!
Mas talvez a coisa mais interessante para se enfatizar aqui não é o CD isoladamente, mas o que ele representa para a banda e para seus fãs. O MetallicA mexeu e sofreu. Sofreu com o seu próprio público, que não tolerou os riscos que a banda correu, só lotavam os shows por causa das músicas antigas. Viraram, guardadas as devidas proporções, uma versão mais pesada dos Stones (me perdoem os Stoners mais xiitas, mas a ótima “Anybody seen my baby” foi o mais próximo de um clássico que Mick Jagger e cia. conseguiram fazer nos últimos 15 anos).
O MetallicA parecia estar fadado ao mesmo destino. A discussão mais comum no mundo pesado é “bons são os primeiros e os últimos são uma porcaria”. Aliás, mal há discussão sobre isso, é quase um consenso. Os fãs estavam cansados de ouvir “Load” como um álbum de hardrock, mas não como um do MetallicA. “Reload” como industrial, mas não como um do MetallicA. “St. Anger” como new metal e não thrash. Hoje, com “Death Magnetic”, temos uma bateria ao invés de latas de tinta. As guitarras voltaram ao Mi clássico. Os vocais estão gritados e vorazes, e público e crítica concordam sobre a qualidade das músicas.
Tanto o caixão da capa como os títulos das músicas ( “The End of the Line”, “My Apocalipse”, “Suicide and Redemption”) remetem à morte, mas não de uma forma sombria, e sim no sentido de renascimento e recomeço. Talvez isso seja uma forma de expurgo, onde a banda grita na cara das pessoas que os apedrejavam que eles ainda estão ali, e o metal ainda corre em suas veias. Talvez seja apenas um recomeço, um novo fôlego que a banda teve que tomar para dar o melhor de si.
Hoje, depois de 1 mês do lançamento, dá pra dizer sem medo que:
1 – “Death Magnetic” é bom pra caralho!
2 – Haverá uma turnê mundial, e se passar pelo Brasil eu não sei quem eu terei que matar, mas eu vou.
3 – O próximo álbum poderá ser ainda melhor, já que Trujillo estará mais à vontade. Ou uma droga, porque eles adoram mexer em time que está ganhando.
4 – Por uma grande ironia do Deus-Metal, “Death Magnetic” divide o título de melhor álbum de metal do ano adivinhe com quem… Fora daqueles! United Abominations é de 2007, e não de 2008.