MetallicA – “Death Magnetic” – 2008

E chegou o novo álbum do MetallicA. Repleto de riffs que são puro thrash metal oitentista, palhetadas rápidas, solos de guitarra (Kirk Hammett voltando a fazer o que faz de melhor), com um novo baixista (lembrem-se que Robert Trujillo entrou quando quase todo o equivocado St. Anger já estava pronto) e Lars Ulrich loooonge de ser o baterista que já foi um dia, mas na dele, sem comprometer nada.

Basicamente é assim que se pode descrever o novo álbum da banda. Depois de alguns experimentos fracassados, o MetallicA lança “Death Magnetic”, um álbum que marca mais que o retorno do grupo ao topo do metal, mas um reencontro consigo mesmo. Com produção de Rick Rubin “Death Magnetic” não é nem farinha perto de “Master of Puppets”, mas é definitivamente melhor do que qualquer coisa que a banda fez depois do midiático álbum “Metallica” (o famoso “Black Album”).

Robert Trujillo

Robert Trujillo

Claro que os pequenos defeitos que fazem a banda ser o que é estão ali. “Cyanide” é a prova da personalidade e versatilidade que Robert Trujillo trouxe, apesar de seu riff de guitarras ainda trazer um “cheiro” de Reload. A banda continua com sua IRRITANTE mania de diminuir a batida na hora do refrão, ao invés de acelerar, e Kirk mesmo depois de mais de 20 anos de carreira ainda não se decidiu sobre qual efeito usar. Mas é muito bom ouvir o Metallica soando novamente como o Metallica. “The Day That Never Comes” não é uma das melhores faixas, mas é uma ótima balada, mesmo sendo artificial. Parece que eles engarrafaram a fórmula de “Fade To Black” e “Welcome Home (Sanitarium)” para fazer um hit de radio.

O ponto alto do álbum é definitivamente “The Judas Kiss”. Um belo refrão, bateria frenética, e Hetfield cantando como nos velhos tempos, com tesão e raiva. Mas o principal destaque desta faixa são as guitarras, tanto as bases animais de James quanto o solo característico e interminável de Kirk, repleto de wah-wah e distorção no talo!

Mas talvez a coisa mais interessante para se enfatizar aqui não é o CD isoladamente, mas o que ele representa para a banda e para seus fãs. O MetallicA mexeu e sofreu. Sofreu com o seu próprio público, que não tolerou os riscos que a banda correu, só lotavam os shows por causa das músicas antigas. Viraram, guardadas as devidas proporções, uma versão mais pesada dos Stones (me perdoem os Stoners mais xiitas, mas a ótima “Anybody seen my baby” foi o mais próximo de um clássico que Mick Jagger e cia. conseguiram fazer nos últimos 15 anos).

O MetallicA parecia estar fadado ao mesmo destino. A discussão mais comum no mundo pesado é “bons são os primeiros e os últimos são uma porcaria”. Aliás, mal há discussão sobre isso, é quase um consenso. Os fãs estavam cansados de ouvir “Load” como um álbum de hardrock, mas não como um do MetallicA. “Reload” como industrial, mas não como um do MetallicA. “St. Anger” como new metal e não thrash. Hoje, com “Death Magnetic”, temos uma bateria ao invés de latas de tinta. As guitarras voltaram ao Mi clássico. Os vocais estão gritados e vorazes, e público e crítica concordam sobre a qualidade das músicas.

Tanto o caixão da capa como os títulos das músicas ( “The End of the Line”, “My Apocalipse”, “Suicide and Redemption”) remetem à morte, mas não de uma forma sombria, e sim no sentido de renascimento e recomeço. Talvez isso seja uma forma de expurgo, onde a banda grita na cara das pessoas que os apedrejavam que eles ainda estão ali, e o metal ainda corre em suas veias. Talvez seja apenas um recomeço, um novo fôlego que a banda teve que tomar para dar o melhor de si.

Hoje, depois de 1 mês do lançamento, dá pra dizer sem medo que:

1 – “Death Magnetic” é bom pra caralho!

2 – Haverá uma turnê mundial, e se passar pelo Brasil eu não sei quem eu terei que matar, mas eu vou.

3 – O próximo álbum poderá ser ainda melhor, já que Trujillo estará mais à vontade. Ou uma droga, porque eles adoram mexer em time que está ganhando.

4 – Por uma grande ironia do Deus-Metal, “Death Magnetic” divide o título de melhor álbum de metal do ano adivinhe com quem Fora daqueles! United Abominations é de 2007, e não de 2008.

20 Respostas para “MetallicA – “Death Magnetic” – 2008”

  1. Danny Disse:

    Só isso que vc tem a dizer: “Há potencial…”!!!!
    Pode se inscrever lá no blog da Cris, menino!

  2. Armando Netto Disse:

    De Metallica, eu só conheça as clássicas, mas meu pai curte bastante, vou mostrar este post pra ele.

    Abraço.

  3. Thera Fajyn Disse:

    Eu não tenho conhecimento ou gosto para comentar, passei só para avisar para vc revisar o comecinho do post. ;)

  4. Mariana Bonfim Disse:

    hauhauahauhaua
    Se você quiser acho q minha sogra naum vale muito, mas dá pra descolar uns trocos e ver o show!!!

  5. Danny Disse:

    Ai que medo!

  6. wilbor Disse:

    Gostei da sua crítica. Não sei se trata-se do melhor disco de metal da década, embora não saiba dizer qual álbum poderia bater de frente com este.

    E me simpatizei principalmente com seu post anterior, depois das decepções dos últimos discos do Metallica. Também passei por isso e também escrevi um comentário no meu blog.

    Um abraço!

  7. Você avisa quando não quer mais papo? « Crítica Construtiva Disse:

    [...] MetallicA – “Death Magnetic” - 2008 [...]

  8. Fabio Santos Disse:

    Gosto muito do classico Mettalica, mas o novo álbum esta muito bom e respira o mesmo ar que álbuns antigos, “master of puppets”, ” kill….. e assim vai”

    Gostei mesmo, “the unforgiven 3″ é interessante, mas chega né !!!

    faloww

  9. Carla Disse:

    Obrigada pela sua visita e cá estou pra visitar seu cafofo.
    Adoro Metallica e meu filho mais velho tem uma banda de rock metal, o For Bella Spanka, que, modéstia à parte, tem um som muito bacana!
    Bjo e otimo findi.

  10. Henrique Artur Wint Disse:

    Primeira vez que leio alguém falando bem do novo álbum.

  11. Flávia Disse:

    Só passei para dar um Oi!
    E dizer q eu amoooo Metallica!

    BeijO!

  12. Lys Disse:

    Olá Wallace,

    Acabei de reativar meu blog, o Universo Desconexo, e vi uma mensagem sua… uma pena que voc6e chegou no meu cantinho justo em uma fase de pausa necessária e obrigatória :)

    Demorei, mas finalmente voltei à ativa. Se puder mais tarde fazer uma visita serás bem vindo !

    Eu nunca gostei muito do Metállica. Gosto mais dos rocks alternativos ou até progressivo.

    Um abraço,
    Lys

  13. Jonas Disse:

    O álbum é show de bola!
    Mas não sei se é mérito do Trujillo, ainda acho que ele tá meio deslocado…

  14. davicruz Disse:

    Wallace, parabéns pelo blog! Estou passando aqui pela primeira vez e gostei muito dos teus textos. Escrevo sobre séries e filmes, mas ontem resolvi postar sobre música, inclusive citando o Black Album…

    Fiquei curioso para ouvir esse novo METALLICA… Vou ver se meu amigo Paul Torrent me consegue…

    abraço

  15. Albergaria Disse:

    Grande Wallace!!! nunca é perda de tempo ler suas críticas… nao sei porque, sempre construtivas rs
    Já estou baixando desesperadamente o álbum… vamos ver qual é!
    Nao sei nao… o black album é sem dúvida uma obra-prima dos caras, porém o Kill ‘em All me soa muito bem… toda aquela sujeira pesada com ataques rápidíiiisimos de guitarra sempre me fizeram bater cabeca.
    ABRACO!

  16. Davi Cruz Disse:

    Ops, tá aqui o meu endereço http://toassistindo.wordpress.com

    abraço!

  17. Mateus (Teusma) Disse:

    Metállica é show. Ainda não conferi esse trabalho mas em breve irei fazê-lo. É normal que, com a idade batendo às portas dos caras, eles percam algo de outrora. Mas sempre serão respeitados pelo belo metal que fazem.

    Abraço

  18. vladhomobono Disse:

    Também gostei pra caralho do novo cd. Mas gostei mais pq eles estão tentando voltar à origem do metallicA.

  19. Vestiário | Melhores Discos de 2008 (2) Disse:

    [...] melhor álbum de metal dos anos 80, e a obra-prima do Metallica. Alguns anos depois, eles lançaram “Death Magnetic”, que se transformou no primeiro disco da banda a merecer os três adjetivos designados outrora a [...]

  20. Cardoso Disse:

    METALLICA.
    Adoro esta banda e o novo album está muito melhor, sobretudo a música “all nigthmere long”. adorei. METALLICA, são os melhores

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