Desde sempre no mundo do entretenimento as pessoas ouvem falar de plágio. O plágio, numa definição não-jurídica e pouco ortodoxa, é a completa falta de vergonha na cara, e a suposição prévia que seu consumidor (ou leitor, ou ouvinte, ou fã…) não tem conhecimento suficiente para perceber que você não é o autor daquilo. Lembro bem dos meus tempos de banda de rock, quando um amigo pegou um trecho de uma música do Jethro Tull, acelerou um pouco a batida, e veio me mostrar como se fosse sua obra prima. Quando eu falei “nossa, mas isso parece a música tal do JT, hein?” o pobre ficou branco e gago na hora! Estranho fenômeno…
Mas muita gente famosa já andou dando uma de esperta por aí. O <faustosilva> monstro sagrado do rock nacional </fautosilva> Camisa de Venus então, nem se fala. Pegou “I Believe”, do Buzzcocks e transformou em “O Adventista“. Para desespero da Renata, pegaram Warsaw, do Joy Division (na verdade a música é da época em que a própria banda se chamava Warsaw) e usaram para cantar a letra de “Gothan City“. E para batizar em grande estilo, pegaram “Gimme Shelter“, dos Rolling Stones, de 1969 e usaram para criar “Só o Fim” do início ao fim (pegou? pegou?)!
Uma das maiores bandas dos anos 90, o Nirvana, também usou trechos de outras músicas em seus álbuns. Plagiaram o riff de “Eighties” do Killing Joke, faixa oito do disco “Night Time”, para criar um dos hits mais famosos do Cd “Nevermind”: “Come As You Are“. Repara só se não é apenas uma versão mais lentinha… “Endless, Nameless” então, eles pegara dos Pixies, do álbum “Doolittle”, na música “Dead“. As músicas começam exatamente da mesma forma!
Até mesmo uma das trilhas sonoras mais famosas dos anos 80, do tipo que você reconhece e abre um sorrisão com apenas os 3 primeiros acordes, foi plagiada de “I Want A New Drug“, de Huey Lewis (um dos maiores compositores de trilhas de cinema dos anos 80). Estou falando de “Ghostbusters” do Ray Parker Jr!
Agora, um dos maiores casos de #fail nesse assunto foi quando os Beach Boys copiaram toda a música “Sweet Little Sixteen“, do Chuck Berry sem nenhuma preocupação de descaracterizar para compor “Surfin’ USA“. As mesmas notas, as mesmas passagens, e as mesmas melodias vocais. Quando o escândalo apareceu, os Beach Boys, que nunca haviam surfado na vida, preferiram comprar os direitos da música do Chuck Berry para evitar complicações.
Mas enfim, porque eu estou relatando tudo isso? Porque recentemente andou circulando em alguns blogs um vídeo no YouTube onde uma dupla identifica 36 músicas com a mesma sequência de 4 acordes. Você provavelmente já deve ter visto, já que depois que um blog achou, dezenas de outros postaram também. Mas caso não tenha visto, assista aqui embaixo:
Embora os blogs roteadores de conteúdo tenham passado adiante esse vídeo, não lembro de nenhum ter feito algum comentário sobre ele. Será que esse vídeo relata 36 casos de plágio? Claro que não! O que acontece é que a sequência de acordes (E / B / C#m / A) é básica para quem está aprendendo um instrumento musical, e acaba sendo trivial em canções pop. Dá pra fazer o mesmo com diversas músicas nacionais, usando como base a sequência de acordes de “Será”, da Legião Urbana por exemplo. Isso não caracteriza plágio necessariamente. Muitas músicas de metal dos anos 80 possuem a mesma estrutura, a mesma “identidade musical”. Essa marca é característica também de certas batidas das músicas eletrônicas do fim dos anos 70 e início dos anos 80, que o Steve B. revitalizou um tempo depois. Dá pra fazer o mesmo com o pagode da segunda metade dos anos 90, e com o Axé então, nem se fala…
Prestem mais atenção nas músicas que vocês ouvem. Se bobear, vocês acharão mais uma sequência de notas que se repete em várias canções. Tipo o único sucesso dos The Strokes, cujo início é levemente parecido com o início de “American Girl” do grupo Tom Petty & The Heartbreakers.
Só não vá cair na lábia de John Lennon, que procurou uma música desconhecida do Chuck Berry, pegou metade da melodia e da letra de “You Can’t Catch Me” e tranformou em “Come Together“. Até a maior banda de rock da história tem seus pecados…
Escrito por Wallace Souza
Escrito por Wallace Souza 
Escrito por Wallace Souza