Plágio ou coincidência?

25 Fevereiro, 2009

Desde sempre no mundo do entretenimento as pessoas ouvem falar de plágio. O plágio, numa definição não-jurídica e pouco ortodoxa, é a completa falta de vergonha na cara, e a suposição prévia que seu consumidor (ou leitor, ou ouvinte, ou fã…) não tem conhecimento suficiente para perceber que você não é o autor daquilo. Lembro bem dos meus tempos de banda de rock, quando um amigo pegou um trecho de uma música do Jethro Tull, acelerou um pouco a batida, e veio me mostrar como se fosse sua obra prima. Quando eu falei “nossa, mas isso parece a música tal do JT, hein?” o pobre ficou branco e gago na hora! Estranho fenômeno…

Mas muita gente famosa já andou dando uma de esperta por aí. O <faustosilva> monstro sagrado do rock nacional </fautosilva> Camisa de Venus então, nem se fala. Pegou “I Believe”, do Buzzcocks e transformou em “O Adventista“. Para desespero da Renata, pegaram Warsaw, do Joy Division (na verdade a música é da época em que a própria banda se chamava Warsaw) e usaram para cantar a letra de “Gothan City“. E para batizar em grande estilo, pegaram “Gimme Shelter“, dos Rolling Stones, de 1969 e usaram para criar “Só o Fim” do início ao fim (pegou? pegou?)!

Uma das maiores bandas dos anos 90, o Nirvana, também usou trechos de outras músicas em seus álbuns. Plagiaram o riff de “Eighties” do Killing Joke, faixa oito do disco “Night Time”, para criar um dos hits mais famosos do Cd “Nevermind”: “Come As You Are“. Repara só se não é apenas uma versão mais lentinha… “Endless, Nameless” então, eles pegara dos Pixies, do álbum “Doolittle”, na música “Dead“. As músicas começam exatamente da mesma forma!

Até mesmo uma das trilhas sonoras mais famosas dos anos 80, do tipo que você reconhece e abre um sorrisão com apenas os 3 primeiros acordes, foi plagiada de “I Want A New Drug“, de Huey Lewis (um dos maiores compositores de trilhas de cinema dos anos 80). Estou falando de “Ghostbusters” do Ray Parker Jr!

Agora, um dos maiores casos de #fail nesse assunto foi quando os Beach Boys copiaram toda a música “Sweet Little Sixteen“, do Chuck Berry sem nenhuma preocupação de descaracterizar para compor “Surfin’ USA“. As mesmas notas, as mesmas passagens, e as mesmas melodias vocais. Quando o escândalo apareceu, os Beach Boys, que nunca haviam surfado na vida, preferiram comprar os direitos da música do Chuck Berry para evitar complicações.

Mas enfim, porque eu estou relatando tudo isso? Porque recentemente andou circulando em alguns blogs um vídeo no YouTube onde uma dupla identifica 36 músicas com a mesma sequência de 4 acordes. Você provavelmente já deve ter visto, já que depois que um blog achou, dezenas de outros postaram também. Mas caso não tenha visto, assista aqui embaixo:

Embora os blogs roteadores de conteúdo tenham passado adiante esse vídeo, não lembro de nenhum ter feito algum comentário sobre ele. Será que esse vídeo relata 36 casos de plágio? Claro que não! O que acontece é que a sequência de acordes (E / B / C#m / A) é básica para quem está aprendendo um instrumento musical, e acaba sendo trivial em canções pop. Dá pra fazer o mesmo com diversas músicas nacionais, usando como base a sequência de acordes de “Será”, da Legião Urbana por exemplo. Isso não caracteriza plágio necessariamente. Muitas músicas de metal dos anos 80 possuem a mesma estrutura, a mesma “identidade musical”. Essa marca é característica também de certas batidas das músicas eletrônicas do fim dos anos 70 e início dos anos 80, que o Steve B. revitalizou um tempo depois. Dá pra fazer o mesmo com o pagode da segunda metade dos anos 90, e com o Axé então, nem se fala…

Prestem mais atenção nas músicas que vocês ouvem. Se bobear, vocês acharão mais uma sequência de notas que se repete em várias canções. Tipo o único sucesso dos The Strokes, cujo início é levemente parecido com o início de “American Girl” do grupo Tom Petty & The Heartbreakers.

Só não vá cair na lábia de John Lennon, que procurou uma música desconhecida do Chuck Berry, pegou metade da melodia e da letra de You Can’t Catch Me” e tranformou em “Come Together“. Até a maior banda de rock da história tem seus pecados…


Um Metablog que vale a pena!

20 Fevereiro, 2009

Eu honestamente nunca gostei muito de metablogs. Essa coisa de manual de instruções feito por quem mal sabe arrumar o próprio template, ou manter um blog com um foco. Uma pequena parte disso é preconceito? Talvez, mas pelo menos é um preconceito fundamentado na falta de credibilidade dos metablogueiros que conheço, que simplesmente lêem freneticamente blogs de sucesso, engarrafam a fórmula do que deu certo para alguns e vendem isso por um “preço” (a.k.a. relevância) maior do que realmente vale. Não sei se é legítimo alguns blogueiros criarem regras, ou tentarem conferir status de superior nas suas próprias regras, e postar isso como “Isso é o padrão! Nós somos os grandes, intelectuais, inteligentes, descolados e infalíveis blogueiros. Siga exatamente o que eu posto, sem questionar, e seu blog será um sucesso”. Sei lá, qualquer tipo de totalitarismo é uma furada pra mim…

Mas eis que meu amigo Lob resolve meter a mão na massa e fazer algo diferente: O Blogueiro! Um metablog decente, sem firulas, sem tentar elevar opiniões pessoais à categoria de padrão da blogosfera PT-BR. Um metablog legítimo, já que ele está nessa vida de blogueiro desde 2001 (vide Misto Frio, FreeDown, FreeDown Adulto, Emprego Agora e o ótimo mas esquecido Empório da Música). Nele, você irá entender de forma muito simples como ganhar dinheiro com seu blog, mas que blog não é esse Eldorado todo que andam pregando por aí. Dá pra ganhar dinheiro, mas é preciso dedicação. Enfim, visitem!


Saudosismo saudável – 40 anos sem os Beatles

1 Fevereiro, 2009

Há quarenta anos, os Beatles subiam no terraço do prédio de sua nova gravadora, a Apple, para apresentar aquele que seria o último show de sua carreira. No dia 30 de janeiro de 1969, eles tocaram como uma banda de rock. No telhado, sem platéia, sem pretensão de fazer um show perfeito. Apenas plugando os instrumentos, checando se estava tudo certo, e tocando rock.

Claro que havia um contexto. As gravações do Álbum Branco marcaram a falta de unidade na banda. O empresário Brian Epstein havia falecido, e a banda estava perdida à procura de um novo empresário. Acabou caindo nas mãos do Dr. Evil do rock inglês, Allen Klein. O filme “Magical Mystery Tour” foi um fracasso na TV britânica, os membros estava virando “homens de negócios” devido à proporção que seus projetos paralelos estavam tomando, a presença de Yoko Ono (que leva a fama injusta até hoje de principal responsável pela separação do grupo), todos esses fatores tornavam a convivência entre os integrantes do grupo insuportável.

Até que Paul McCartney propôs uma volta às origens. Tocar como uma banda de garagem novamente, e não como a maior banda de rock do mundo. Voltar-se para as raízes, para o som que uniu os músicos no início. Sem overdubs, sem colagens de som, nem efeitos especiais. Serem apenas os Beatles, um conjunto feito para tocar ao vivo. Assim começaram as gravações do vai-ou-racha da banda, Get Back.

"Com esse cabelo, ou você é uam garota ou veio de Liverpool"

"Com esse cabelo, ou você é uma garota ou veio de Liverpool"

Com o reforço do tecladista Billy Preston (que já havia tocado com meia Motown) colocaram refletores e holofotes coloridos, criando uma paisagem quase psicodélica apenas com iluminação. E no meio de rocks de primeira, alguns bate-bocas que ficaram históricos graças ao filme Let it Be. Ringo se queixando de ser tratado como um músico de aluguel. Paul provocando Yoko com o refrão de “Get Back” (“Volte pro lugar de onde você veio”) olhando na cara dela.

Para situações extremas, medidas extremas. Paul propôs fazer um show no dia seguinte no alto do prédio da Apple. Era um dia típico londrino, uma quinta-feira fria de inverno. No terraço da gravadora, o grupo vestiu os casacos de suas esposas e deu a derradeira despedida para quem passasse. O público só conseguia ouvir o som vindo do céu, sem saber de que direção. Aos poucos, alguns percebiam a movimentação e se agarravam em escadas de incêndio e nos prédios vizinhos para perceberem que “sim! São os Beatles!”.

Depois deste show, eles decidiram que a banda iria acabar. Não eram mais um grupo. Eram 4 músicos.

Entenda, de uma vez por todas, do que eu estou falando:

É como eu digo sempre: quem não gosta de Beatles, não tá com nada!