Morrisey 50 anos!

Sou da geração que pegou o The Smiths no fim, e teve que se contentar com os restos. Via meus amigos de escola com os CDs pra lá e pra cá, mas nunca me interessei em conhecer a obra do grupo. Ouvi um amigo fazer a infeliz comparação “eles são a Legião Urbana cantando em inglês”, e caí na armadilha do preconceito. Do alto dos meus sábios 14/15 anos achei que fazer qualquer comparação com Legião Urbana seria um sacrilégio, e “decidi” não gostar de The Smiths. Sempre que uma namorada, amigo ou conhecido vinha me oferecer uma oportunidade de ouvi-los eu dizia que não gostava, mesmo sem nunca ter ouvido uma música inteira.

 Aí, anos depois, você está num restaurante fast-food tendo uma big de uma DR na hora do almoço, onde ela não apenas termina o namoro, mas joga na cara todos os defeitos que você tem e os que você não tem (e esses últimos é que são os mais cruéis). Você chora, odeia o mundo, odeia todo mundo por alguns minutos. Depois de alguns dias você está no metrô, voltando do trabalho. Começa a aceitar que ela não vai voltar mesmo, e resolve ouvir um som. Só que as músicas do seu mp3 você já sabe de cor e salteado. Você precisa de novidade. E ao colocar na primeira estação de rádio que pegue, você dá de ouvidos com Suedehead. Putz! Então era isso que ele queria dizer? Uma música que você não precisa ler a letra ou tradução para entender do que se trata. “I’m soooo sorryyyy…”. Um marco.
Tem gente que acha o Morrisey um saco e tem horror ao que ele representa. Não as culpo. Gostar de músicas com tanta carga emocional é, indiretamente, assumir que a gente não é mais criança e que entende a complexidade que é viver.
Ouvi os CDs depois de algum tempo de lançados, e fico com um certo pesar de não tê-lo curtido na adolescência, onde tudo teria sido mais clichê, mas acho que teria sido mais legal.

E foi pra celebrar tudo isso que Morrissey comemorou, nesta última sexta-feira (22), seu aniversário de 50 anos em sua cidade natal. No palco do Manchester Apollo foi aplaudido de pé pelo público que esgotou os ingressos em 15 minutos. Embora um pouco previsível, o show começou com a emocionante “This Charming Man”, dos Smiths. Na seqüência, alguns singles e hits da carreira solo e de sua antiga banda.
Morrissey, estranhamente bem humorado, disse que não era um “cinquentão”: “Eu estou fazendo quarenta e dez”.

 

 

Reed Richards?

Reed Richards?

Fico pensando nessas bandas que voltam do limbo, como Duran Duran (que não vingou novamente apesar do competente “Astronaut”), The Police, Queen e afins. Sou um pouco preconceituoso com esses revivals, mas quer saber? O The Smiths podiam voltar! Os integrantes estão aí, os fãs lotam os shows solo do vocalista, marmanjos de 30 e poucos ainda deixam escapar um sorrisinho besta ao ouvir os primeiros acordes de sua música favorita do grupo. O que falta? Eu iria num show deles, e iria feliz. Se bobear, ainda passo na Saara antes, compro uma pochete preta, boto um jeans surrado e vou com camisa da Legião Urbana.

12 Respostas para “Morrisey 50 anos!”

  1. Thera Fajyn Disse:

    Nada como as descobertas, mas… Pochete não é demais não?!

  2. Twitted by Kosmidis Disse:

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  3. Gabriel Lucas Disse:

    É, podiam voltar mesmo!

  4. Nando Disse:

    Muito bom! Me deu até vontade de escutar os Smiths agora.

  5. Edu Starling Disse:

    Vivi essa mesma época, e o que vc escreveu bate certinho com a minha opinião

    Como disse o Nando, vou até escutar Smiths agora :)

    Resposta:
    Pois é Dudu! Morrisey é o tipo de artista que imprime tanto de si mesmo nas canções, que é quase impossível resistir…

  6. drika Disse:

    desde criança sou a favor das novidades, sem preconceito, só digo q ñ gosto após ouvir.
    sou seletiva, mas ouço.

    ainda bem q vc abriu seus ouvidos.
    mas ñ precisa comprar pochete não. pleaaase!
    beijos.

  7. Rafa (guapinha) Disse:

    ah eu conheço as músicas…minha mãe adorava!!!!!
    beijinho

    Resposta:
    Pois é, mocinha. E pensar que só agora estou começando a gostar…

  8. Doni Disse:

    Ah, não deviam voltar não… As boas bandas nascem, fazem sucesso e morrem, e é assim que deve ser. Os Smiths são fruto de um momento bem determinado, fazê-los voltar seria apenas ter mais uma dessas bandas caça-níqueis com sucessos do passado. ;)

    Resposta:
    Até concordo, mas não seja egoísta! Acabo de descobrir a banda depois de todo mundo! Estou me sentindo um super atrasado, queria MESMO vê-los ao vivo…

  9. Anderson Disse:

    Caça níqueis e sucessos do passado?
    O Roberto Carlos vive d q?

    prefiro The Smiths!

  10. Clarinha Disse:

    Nunca é tarde para ouvir os Smiths. Tb fico pensando em uma possível volta, mas acho que o grupo não teria a mesma harmonia. Os tempos eram outros. Dá para ver isso pelas músicas das carreiras solo do Morrissey e do Johnny Marr (não se esqueçam dele)que hoje é o guitarrista do The Cribs, banda com influências do punk rock, com lançamento de álbum previsto para setembro. Já tocou tb no The The, que é ótimo, em seguida formou o The Healers e colaborou com o Modest Mouse, bem bacana por sinal (ouçam “Float on” e “Dashboard” deles e reconheçam os acordes de guitarra). Eu não estou muito por dentro da carreira atual do Morrissey, até gostaria de saber mais se alguém pudesse informar. Acredito que não repete o mesmo sucesso dos Smiths, longe disso. Afinal, o Moz era a alma do grupo, mas o J. Marr o coração. Deve ter muita gente descobrindo os Smiths atualmente através do Morrissey. Bom, eu comprei o Suedehead e parei por aí. Recomendam algum outro álbum dele? O público dele deve ser bem restrito, afinal o estilo das letras não agrada qualquer um, por isso vcs podem ter ctz que têm bom gosto. Mesmo com todas as mazelas da juventude e da timidez cantadas por ele, para mim Moz é um cara realista. Com o sufoco que ele passou, filho de pai operário, uma infância sem mãe(que faleceu cedo) ele conseguiu manter o sucesso graças a perspicácia e ousadia de suas letras. Quem poderia ocupar o lugar dele? Não existe ninguém comparável, acho… Os Smiths sempre deixam um gosto de nostalgia…É como a “Back to the old house”, mas sabemos que isso nunca mais vai voltar, então aproveitem como podem. Viva os Smiths!

  11. romulo Disse:

    naum, naum volta naum…
    deixa o moz aí com essa carreira fabulosa, com letras ferozes q ainda emocionam tanto…
    os smiths fizeram e marcaram seu tempo, taletosos, influenciaram deus e o mundo…mas já era né, revival n tah com nda!
    agora uma coisa eh certa, seria d fato um sacrilégio qualker comparação com o legião! hahahaha
    ate os trejeitos do moz o russo tentav imitar, uma pena!

  12. Elizabeth Tuñas Disse:

    Bem que eles poderiam voltar. A primeira vez que os ouvi foi com 15 anos naquelas festinhas em casa, onde se reuniam varios adolescentes e rolava The smiths. A minha música predileta são duas Suedehead e There is a light that Never Goes Out, assisto os DVDs de Morrissey em casa todo sábado e no trabalho rola o cd dele no comput direto…. Eles foram demais… e Morrissey esta cada vez melhor

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